sábado, 30 de janeiro de 2010

HAITI

"Ventos de Poesia"
Haiti
Despojos de um sismo

Num dia de sobressalto.
A terra tremeu.
Falou mais alto!

Ninguém escolheu.
Pouco poupou.
Quase tudo varreu.
Ela gritou!

Sem dignidade...
Foram enterrados,
em valas comuns.
Já não cabiam,
em campos sagrados.
Alerta ao Homem.
Agressor da terra.
Um dia berra!

Raízes M/Peniche

domingo, 24 de janeiro de 2010

O MEU MESTRE

"Ventos de Poesia"
*
Sinto-me pobre;
Sinto pobreza em mim quando querem que seja o que não sou.
Quando querem que diga o que não quero!
Sinto-me pobre;
Quando não aceitam o meu ser.
Quando não entendem o que sou!
Quando gozam e me diminuem por acreditar.
Sinto-me pobre,
Quando, por grande força, me lançam sementes de desconfiança.
Quando me tentam desacreditar, mesmo em público.
Quando me mostram todo seu desamor.
Mas sinto-me rico! Muito Rico!
Ao verificar que nenhum desses sentimentos geram frutos em mim.
Que a minha estrutura se reveste de robustez.
Que a minha pessoa se consolidou em meu mestre.
Afinal sou muito rico.

Paulo Gonçalves

FAMILIA MODERNA

"Ventos de Poesia"
*
Andava a Maria Augusta,
numa azáfama desgraçada.
Pois para o almoço não tinha nada.
Entre alhos e cebolas,
Pensou numa caldeirada.
Como peixe não havia,
de nada, estes serviam.
- E que tal uma salada?!
-Toda bem ornamentada.
…Mas legumes, não havia.
Vamos mas é comer melancia!
Que raio de vida malvada.
Sobra mês ao ordenado!
Estômago cheio? Nem vê-lo!
Aperta-se o cinto mais um bocado.
Com sorte ainda vou ser modelo!

Paulo Gonçalves

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

SAN PEDRO DE ALCÂNTARA

Capitulo 1

«O navio de guerra espanhol de 64 canhões partiu do Peru na América do Sul em 1784 com destino a Cádiz no Sul de Espanha. Levava Cobre, Prata e Ouro oriundas das minas Peruanas, assim como um extenso e valioso espólio constituído por peças de cerâmica pré-hispânica da cultura Chimu, pertencente à colecção científica de Ruiz e Pavon, que estes recolheram no início de 1780 de diversas ruínas e cavernas na região de Tarma. Trazia ainda uma sinistra carga humana, Incas do movimento independentista Tupac Amaru, para além da tripulação e passageiros, num total de mais de 400 pessoas.
Este navio, construído com madeira tropical por um armador Inglês ao serviço do Rei de Espanha, nos arsenais da Ilha de Cuba em 1770/71, zarpou do Peru com uma carga que excedia em muito o peso considerado seguro. Na época as regras de carregamento de navios não se regiam exactamente por critérios de segurança ou de razoabilidade, mas sim na maioria das vezes, por critérios económicos, políticos ou militares, como veremos à frente.
Fonte de pesquisa: http://nautarch.tamu.edu/shiplab/
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

BENTO XVI

CAMINHAR PARA A PAZ COM BENTO XVI

Capitulo2

Na encíclica, pus em realce que o desenvolvimento humano integral está intimamente ligado com os deveres que nascem da relação do homem com o ambiente natural, considerado como uma dádiva de Deus para todos, cuja utilização comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente os pobres e as gerações futuras. Assinalei também que corre o risco de atenuar-se, nas consciências, a noção da responsabilidade, quando a natureza e sobretudo o ser humano são considerados simplesmente como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo. Pelo contrário, conceber a criação como dádiva de Deus à humanidade ajuda-nos a compreender a vocação e o valor do homem; na realidade, cheios de admiração, podemos proclamar com o salmista: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?» (Sl 8, 4-5). Contemplar a beleza da criação é um estímulo para reconhecer o amor do Criador; aquele Amor que «move o sol e as outras estrelas».

Fonte: Mensagem de Ano Novo de Bento XVI

SAN PEDRO DE ALCÂNTARA

*
Toda a História.
Brevemente!
*

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O CÁLICE

"Ventos de Poesia"

Bebi do cálice, vinho doce.
Inebriado de felicidade fiquei.
Palmilhando caminhos de esperança,
com árdua vida alcancei.
Os sonhos mais felizes a paz e o bem.
Depois veio a tempestade e tudo varreu.
Restou a força e o alento.
Conforto de alguém que sempre me olhou.
Neste descontentamento, o contentamento,
de um raio de Sol que me penetrou.
Do mesmo vinho doce, voltei a beber,
E hoje inebriado de felicidade, estou!
*
*
Paulo Gonçalves

SILÊNCIO

"Ventos de Poesia"

O Silêncio da minha voz.
Que foi amargo entre nós.
Para não saberes o que eu sofria,
sofria a dor da indiferença.
A amargura da tua presença
aumentava dia a dia.

A voz que não ouviste
nas palavras de amor que pediste.
Também calei meu coração.
O Meu sorriso se fechou.
Meu coração o amor matou!
Para não sofrer desilusão.

O silêncio da minha voz.
Voz que não ouviste.
Eu calei!
Calei palavras de amor
Para não ouvires.
Ouvir não pudeste,
o que eu pensei.

Conchita

domingo, 10 de janeiro de 2010

MÁGICA MARESIA

***
O Velho Moinho
***

O velho moinho que moía o pão que a avó amassava, cozia e, mais tarde, eu comia, foi um dos encantos da minha meninice. Era um caminho estreito, empoeirado e de canteiros de alfazema ladeado que dava entrada ao moinho de parede branquinha com porta pequena e a janela estreitinha.
Certo dia, em frente a ele, eu pensava! Coitadinho, com todo aquele peso das velas em cima do pequeno corpo de moinho... Imaginava as dores que ele passava.
Sempre que precisava, esperava a vinda do vento para iniciar o seu labor. Se este não vinha, ele chamava-o!
- Amigo vento vem ajudar-me!
-Tenho os ossos a doer e não posso as velas girar!
-E os meninos, vão ficar sem comer?
E o moinho chorava! Chorava...
Tanto que o vento chamou, que a chuva ouviu!
-Então moinho? O amigo vento não vem? Já o chamas há muito tempo!
-Vai-te embora chuva, não tens postura, e afugentas o vento!
A chuva começou a chorar com muita força! E retorquiu:
- Eu também sou tua amiga! E até que o vento não surja, rego a alfazema que te perfuma! E lavo-te as
velas que o vento suja!
O velho moinho reflectiu. E pediu desculpa à chuva pelo seu egoísmo.
-Sabes chuva, tudo se quer no seu tempo. Os meninos precisam do pão. E eu preciso de vento!
Por fim, o vento chegou e o seu amigo ajudou.
Hoje o meu moinho está parado. De tanto moer morreu cansado.
O moinho que hoje mói meu pão, não sente amor, nem chama o vento. É uma máquina morta de sentimento. A chuva e o vento entristecidos choram pelo meu moinho de saudade.
*
Raízes M/Peniche

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

MÁGICA MARESIA


BREVEMENTE

"O VELHO MOINHO"
***
Foto: colorirdesenhos.com

SEMANA RAÍZES

A Voz do Mar

Mar…Porque ruges ?
Se és tão forte
E nada tens a temer!
Será algo que não possamos saber?

Mar lindo que meus olhos encantas.
O teu azul cor do céu.
O teu verde de esperança.
O branco das tuas ondas
Me parecem um véu

Mar…Não te queixes!
Mar…Tens o calor do sol
O espelhado da lua
E a companhia dos peixes

Mar…porque gemes?
Diz-me a razão do teu clamor
Na crista da tua onda
Saem salpicos de lágrimas de dor
Mar não me respondes…!
Já percebi o teu temor
Avistas ao longe no horizonte
Aquele rochedo. E julgas ser
O gigante Adamastor
Raízes/M. Peniche


SEMANA RAÍZES

Mesmo Velhinho

Já era tão velhinho
Que à janela, mal assomava
À noite, saia para sentir
De onde o vento soprava
De olhos postos no céu
O seu corpo rodava:
Em jeito de oração
Com os seus botões falava
-Está nortada fresca…!
A rosa-dos-ventos rezava
Temente pelo vendaval
Que tantas vidas ceifava
Logo ao romper da aurora
Ao Cabo Carvoeiro rumava
Sem temor pelo temporal
Sentado na rocha, esperava
As meninas dos seus olhos
Um por um, os barcos contavam
-Ah…! Conseguiram! Já passaram!
Então o velho pescador descansava!
-Ah…! Arribaram

Raízes M/Peniche

SEMANA RAÍZES

PAPAGAIO DE PAPEL

Papagaio de papel
De canas era construído
O meu papagaio de papel
De vulgar papel vestido
E pintado de amarelo
Com a cauda feita de elos
De rede entrelaçada
Para dar animação
Rolhas de cortiça
Dependurada
Mal o vento espreitava
Saia-mos para a rua
E aí o largava
Meio desajeitado
Cambaleava e guinava
Por fim lá se endireitava
Subia …Subia!
Tanto era o fio que lhe dava
Ah…O meu papagaio voava
E não tinha asas!
Eu…Magicava!
Também queria ir…! Gritava
Mas…Eu tinha braços e não voava!
Nem pelo fio trepava!
Um dia o meu papagaio se soltou
Não tendo asas
A liberdade conquistou
Apenas o fio sobrou

Raízes M/ Peniche




SEMANA RAÍZES

Inverno

O meu jardim está triste
Cinzento
As crianças estão ausentes
Ouço gemidos das folhas das
Arvores, que o vento teima, à
Mãe arrancar
Os pássaros. Não vejo no seu
Alegre esvoaçar
Partiram para outros lugares
Onde o vento não os arrasta.
Onde há alegria no ar
As flores já há muito secaram
Apenas restam uns galhos inertes
Que a terra, iram sustentar

Mas a primavera vai voltar
E com ela voltarão as folhagens
Verdejantes
Os pássaros virão num alegre chilrear
Saltitando de flor em flor, espalhando
O seu odor
Para as crianças vindouras perfumar
E eu. Nesta passagem pelo tempo
Não canso de esperar
Vislumbrar luz no meu jardim
E puder lá voltar.

Raízes M/ Peniche