quinta-feira, 26 de abril de 2018

O FIM DA NOITE

A noite, finalmente, clareou
Do silêncio fez-se voz!
O sol, tudo iluminou
Igualdade para nós!

Naquela longa noite
O mar foi sua companhia.
Ao romper da alvorada
Com o sonho se fez dia.

Quase eterno, foi o silêncio,
Imposto sem dignidade
Sofrimento infligido
À sombra dessa maldade!

Nobre povo, amargurado.
Acorrentado entre si
Trazendo um cravo vermelho
Dava ao silêncio, o seu fim!

Neste dia, fez-se dia!
(25 de abril de 1974)

Paulo Gonçalves

sexta-feira, 20 de abril de 2018

JARDIM PÚBLICO




ALGO SEREI

Sou vento!
Vento próprio.
Nada devo aos ventos,
Nem eles, a mim.
Nada mando neles.
Nem eles, em mim.
Calo a minha voz!
Pois, que me é negada...
Responsabilidade?...Não tenho!
Desbravo caminho...
Na terra abençoada!

Paulo Gonçalves

terça-feira, 17 de abril de 2018

MALDADE

Ser desprezível e ignóbil.
Que murmuras um lamento.
Sendo a vida um tormento,
Que se agiganta com o vento.

Inveja desenhada na alma.
Com maldade intemporal.
Nos seu lábios a maledicência
Fomentando um vendaval!

O ódio é sua morada.
O desprezo solidão.
A morte é vida certa.
De quem não tem coração!

Paulo Gonçalves

sexta-feira, 13 de abril de 2018

DEUS DARÁ!

Nosso mundo, errante!
Moradas sem dormida.
Meu verão, meu monte, minha fonte!
Estrangulados! Sem vida!

Celeiro parado, a céu aberto.
Escravos de dor, sem guarida!
Pensamento inóspito...
Pobreza desmedida.

Minha alma...sem alento.
Nobre canto. Grande dor!
Que lamento! Que tormento!
Viver sem ti, Senhor!

Paulo Gonçalves

segunda-feira, 9 de abril de 2018

PENICHE

Envolto em ti, nasci!
Ternamente te contemplei.
Enebriado nos aromas e neblinas.
Por ti me apaixonei!
Pensei, serem pura magia...
As rendas em teus rochedos.
Nas ondas do teu mar.
Afugentei os meus medos!
A brisa, temperada de sal.
O horizonte, do pescador.
És terra de devoção.
És sonho do meu amor.
O vento trás-me um segredo,
De ti, não me aparto mais!
Como és bela ó Peniche,
De lendas intemporais.


Paulo Gonçalves


NOITE DE FADOS


domingo, 8 de abril de 2018

O BRILHO DA ALMA

Nem sempre a alma mostra,
O que o coração contém.
Mas quando o seu interior é belo.
A alma brilha mais além!

Paulo Gonçalves

sexta-feira, 6 de abril de 2018

DÁ A VOLTA VENTO NORTE

Sopra forte
o vento Norte,
traz a voz que por mim brada.
Vento Norte
dá a volta.
Não passes à minha porta
e deixa-me à minha sorte.

Ouve o cante da sereia
ondulado p.'los rochedos.
Sente nos teus os seus dedos
macios, de fina areia.
Salta por entre os penedos
com sapatos de algodão.
Dá-lhe a mão.
Deixa-a levar-te.

Vê o vestido, que lindo
feito de rendas de espuma
debruado de fitinhas
leves, leves, sumaúma.
Seus cabelos tão compridos
de algas suaves, brilhantes.
Seus olhos azuis de céu
tão claros e cintilantes.
Sua grinalda real
tão linda, de camarinhas.
Pousa as mãos, 
como eu as minhas
sobre seu ombro de nuvem
e salta de pedra em pedra.
Não temas, voa também.

De novo a minha mãe
a bradar por mim ao vento
ora forte, ora brando.
Dá a volta vento Norte.
Não passes à minha porta.
Não quebres este momento.
Leva a voz que por mim brada,
não quebres o meu encanto.

Helena Marcao.....1990