quinta-feira, 12 de maio de 2016

ERAM TRÊS PASTORINHOS

Sentava-me eu, muitas vezes, nos meus tempos de infância, no humilde sofá daquela digna sala pertença da minha casa, a ver televisão. As imagens que nos chegavam eram de apenas duas cores e nem sempre a televisão abria as suas emissões durante o dia. A economia do país e a sua evolução tecnológica, a mais não permitia. Quando se ligava a televisão em pleno dia já sentíamos que algo de especial acontecia no país. Esta situação acontecia nos dias 13 de Maio e 13 de Outubro aquando das transmissões das peregrinações. Ali estava eu a assistir, juntamente com a minha mãe e recordo que me emocionava sem perceber muito bem porquê. Lembro também que questionava a minha mãe acerca de muitos espetos que aguçavam a minha curiosidade em relação ao que se estava a passar em Fátima. E foi assim num desses dias.
Tinha acabado de tomar o pequeno-almoço e sabia que a transmissão em direto de Fátima ia acontecer, por esse motivo, apressadamente, dirigi-me para a sala. A minha mãe seguiu-me as pisadas. Pouco depois de ter ligado a televisão a transmissão em direto começou.
- Mãe por que motivo isto dá na televisão? – Questionei.
- Olha filho isto dá na televisão porque em Fátima, apareceu a Nossa Senhora.
- Apareceu?
- Sim apareceu.
- Mãe, porque é que a Nossa Senhora apareceu?
- Porque trazia uma mensagem de Nosso Senhor.
- Que mensagem era essa?
- Era uma mensagem que os homens deveriam cumprir.
- E porquê?
- Porque era uma mensagem de amor.
Aquela explicação não me deixou completamente esclarecido e por isso voltei a interrogar a minha mãe que denotava já, algum cansaço por permanentemente lhe desviar a atenção acerca do que se passava na televisão.
- E a Nossa Senhora comunicou a mensagem a quem?
- A três meninos muito pobrezinhos.
- Quem eram?
- Eram três pastorinhos!
- E só eles é que viram a Nossa Senhora?
- Sim, mas no último dia das aparições houve um milagre testemunhado pelas pessoas que estavam em Fátima. Por isso eles celebram sempre os dias em que Nossa Senhora Apareceu.
Aquelas explicações e a emoção que sentia ao assistir a estas celebrações aguçavam ainda mais a minha curiosidade em relação às aparições de Fátima. Hoje percebo de uma forma mais aprofundada tudo o que se passou e concretizou historicamente, facto que lhes dá outro sentido e entendimento. A mensagem da qual Nossa Senhora era portadora era de facto, de amor e continua atual, sendo digna da sua celebração, prova viva da sua importância para toda a humanidade. Nossa Senhora porta do céu, porta do amor e que por isso mesmo nos conduz a Nosso Senhor.
Tal como o Natal, a Páscoa, as Festas em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, também Fátima, mexeu muito comigo e ajudou, através do fenómeno, da mensagem e da sua concretização em termos históricos, a fortificar e solidificar a fé e confiança que deposito nesse meu senhor, gerador da minha existência e eterno amigo que é Jesus Cristo.


Paulo Gonçalves

sábado, 7 de maio de 2016

EUTANÁSIA


Olhava constantemente para as janelas daquele quarto de hospital. A chuva insistentemente batia contra os vidros não lhe trazendo respostas. A dor continuava a dilacerar-lhe a alma. Já passara um Mês desde aquele fatídico dia em que seu filho sofrera um trágico acidente que lhe roubara tudo. Olhava para o seu filho que permanecia estático e ligado àquela maldita maquina que o mantinha vivo. As lágrimas teimavam em rolar-lhe no rosto. Tudo se desmoronara. Também tinha perdido a mulher e a vida revestia-se de uma dureza impar.
Tinha chegado o dia de tomar uma decisão. Recordava a conversa que tivera com o médico e o seu coração não poderia estar mais apertado.

“- Senhor João, lamento muito mas não podemos fazer muito mais.
 - Não posso crer doutor! Não me diga uma coisa dessas!
 - O seu filho está em estado puramente vegetativo. Não podemos fazer mais nada.
 - Não pode ser! Não pode ser!
 - Tenha calma. Neste momento vamos mantê-lo vivo. Dentro de um mês falamos.”

O mês tinha passado e chegara o dia de tomar uma decisão. Tinha passado todo este tempo em oração e não vira qualquer sinal de recuperação do seu filho. A dúvida e a dor permaneciam e interrogavam-lhe constantemente; manter ou não manter a vida?
Prolongar ou não prolongar o sofrimento do seu filho? Os seus pensamentos foram interrompidos pela chegada do médico.
- Então senhor João? Temos que conversar.
- Diga doutor, mas diga algo que me anime.
- Não posso! Não posso! Temos que tomar uma decisão. O seu filho está a sofrer e não vai sobreviver, ele está em puro estado vegetativo. Lamento, lamento muito! Mas aconselho a desligar as máquinas que o ligam à vida que já não é!
- Doutor parece-me que um destes dias lhe vi mexer um dedo da mão.
- Impossível! Por favor tem que ser realista. Não adianta e isto é o que de melhor pode fazer pelo seu filho. Acredite, ele agradece!
O choro compulsivo e forte apoderou-se de si. Olhou para uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e interrogou-a:
- E tu?! Porque não fazes nada!?
Em seguida olhou para as suas mãos que seguravam um terço, já tão seu companheiro e implorou;
- Meu Deus, ajuda-me!
O médico, emocionado voltou a insistir.
- Senhor João, não se desgaste mais. Não podemos fazer nada. É uma situação irreversível. Sei o que estou a dizer. É urgente para o seu filho e para si que mude a página. Já basta de sofrimento.
Olhou cheio de amor, fixamente para o seu filho e de novo para a imagem de Nossa Senhora de Fátima ao mesmo tempo que apertava o terço em suas mãos.
- Já tomei uma decisão!
O médico suspirou de alívio.
- Vamos então desligar?
- Nada disso! Não vou matar o meu filho! Entrego essa decisão nas mãos de Deus!
O médico, surpreendido e algo desiludido, respeitou a vontade do pai.

Cinco anos depois
“Testemunho de um pai feliz”.
Quanto me sinto feliz por ter tomado aquela decisão. Na hora em que apertava o terço foi o que senti que fez com que a tomasse. Duas semanas após a decisão, o meu filho começou a mexer os dedos, contrariando todas as previsões. De imediato começou a fisioterapia e hoje fala, já anda e faz uma vida normal. Faltam apenas pequenas correcções a alguns movimentos.
O meu filho é-me muito grato por lhe ter salvado a vida. O médico perguntou-me o que me fez tomar aquela milagrosa decisão pois resultou numa cura sem explicação. Eu respondi-lhe:
Naquele momento aceitei e entreguei tudo nas mãos de Deus, a partir daí a obra foi dele.
No entanto, nele eu confiei e comprovou-se todo o seu amor pois soube dar-me o discernimento para não tomar a decisão mais fácil e perceber que a vida é-nos oferecida e que sobre ela não temos qualquer poder.
Não escolhemos nascer. Não escolhemos morrer e nem sequer num simples cabelo branco que vem, temos qualquer tipo de decisão. A vida é um bem precioso e nela está contido o amor que o pai tem por nós. Acabar com a vida é matar o amor que o Pai tem por nós!

Conto criado por mim e baseado numa história real.


Paulo Gonçalves

PENICHE DATAS E TRADIÇÕES

Capitulo 7


A queda do regime ditatorial em 25 de Abril de 1974 deu origem à libertação dos presos políticos que ocupavam a cadeia. Esta libertação ocorreu em 27 de Abril desse mesmo ano.
Fonte de Investigação: Livro de Luís Correia Peixoto (100 Anos Através da Fotografia).


Paulo Gonçalves

sexta-feira, 29 de abril de 2016

CAMINHO VERDADE E VIDA

Hoje, pela manhã, abri, como habitualmente, a janela do meu quarto. De imediato entrou a brisa refrescante da manhã. O sol inundava de claridade toda a rua. Olhei para o azul do céu e pareceu-me que o sofrimento da minha vida terrena não fazia sentido. Naquele momento, Jesus oferecia-me o seu bom dia.
Senhor! Ajuda-me a aceitar a tua vontade, a reconhecer todo o bem que me ofereces todos os dias e em todas as coisas. Só deste modo conseguirei seguir sem medo e confiante que tu me agarraste e colocaste no teu colo para a teu lado seguir.


Paulo Gonçalves

segunda-feira, 4 de abril de 2016

TOME NOTA


"Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Você quer ser feliz para sempre? Perdoe." 

(Tertuliano)

PROVÉRBIOS POPULARES

"Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso"
Quer isto dizer que o ano correrá bem sobre todas as perspectivas quer na agricultura, no mar e nas estações. 

QUE BELO É PENICHE!


E POR FALAR...

Encontramos, nos bairros sociais, pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza. É frequente encontrar alguns vizinhos mais novos que auxiliam os mais idosos, de capacidades mais limitadas e com menores recursos, através da entrega de uma sopa ou de uma ou outra refeição. Aqui encontramos o teu reino senhor!
A caridade é cada vez mais necessária pois Jesus está no rosto de cada um. Ensina-me senhor, a reconhecer-te. Ensina-me senhor a encontrar-te pois só assim serei conhecedor do teu reino e poder aspirar à salvação.


Paulo Gonçalves

VIDA


Tenho para mim.
Que esta vida prega partidas.
Levanto-me e caio
Por ruelas escondidas.

Suplício que teima em descer.
Dos meus olhos vai rolando.
Pudera eu não ter…
Este suplício murmurando.

Os sons que a mim chegam,
Oriundos de terras distantes.
Conduzem o meu imaginário
A um vale de ilusões errantes.

Cheio de pedras, meu caminho.
Seguindo em contornos desabridos.
Pelas mágoas da minha vida.
Vou ficando sem sentidos!


Paulo Gonçalves